Guia da Legislação
de Comex

Qual a saída para as cadeias de suprimentos globais no pós pandemia?

Qual a saída para as cadeias de suprimentos globais no pós pandemia?

Leonardo Schmidt

Leonardo Schmidt

Especialista em Gestão de Comércio Exterior | Palestrante | Sócio e Head Comercial, S&T e Desembaraço da Interfreight

Mesmo antes da pandemia, havia uma tendência de países fechando seus mercados. À exemplo do Brexit, na Europa, e dos EUA, impondo tarifas de importação para proteger segmentos industriais. Agora estamos vendo vários países falarem em repatriação de fábricas, controle maior de imigração, de viagens internacionais ….

Sem falar na tensão em torno da guerra comercial EUA x China.

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Agora, após semanas de pandemia e isolamento social, vemos que o Covid colocou o mundo em uma panela de pressão, testando a força e a estrutura de empresas, governos e relacionamentos. Cozinhando tudo mais rápido!

Já há até um número crescente de divórcios neste período.

E quando o ser humano é forçado ao extremo, colocado nas cordas, decisões mais radicais soam como a “bala de prata” que vão resolver todos os problemas.

Adeus Globalização ?!

E na sua edição de 16 de Maio, a The Economist publicou um artigo que fez total sentido para mim, principalmente no contexto acima.

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Lhe explico o porquê.

Mundo afora, a opinião pública tem ficado mais avessa à globalização:

  • O governo Trump fala em apertar mais ainda as regras de imigração, para que os empregos sejam direcionados somente aos americanos.
  • Os estímulos econômicos do governo japonês, às suas empresas, envolvem subsídios maiores para quem repatriar suas fábricas.
  • Países vizinhos que tem restrições de saúde parecidas, como a Austrália e a Nova Zelândia, estão criando bolhas de viagem, permitindo a circulação de pessoas somente entre seus destinos.
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Mas será que esta é a melhor saída?

Segundo o mesmo artigo, se engana quem pensa que um sistema de comércio internacional, com uma rede instável de controles nacionais, será mais humana ou segura.

Países em desenvolvimento não conseguirão acompanhar todas as medidas e a vida nos países de primeiro mundo será mais cara e menos livre.

O caminho para construir cadeias de suprimentos mais resilientes a forças externas não é domesticá-las, concentrando o risco e perdendo o ganho de escala, mas sim DIVERSIFICÁ-LAS.

E como a transformação digital pode te ajudar no cenário pós pandemia?

O que já era tendência na evolução, ficou ainda mais acelerado na pandemia. Cozinhando rapidamente na “panela de pressão”.

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E como você vai conseguir diversificar a sua cadeia de suprimentos, se ainda há muito tempo perdido no dia a dia da sua equipe com as rotinas operacionais de importação?

Este é um dos desafios mais comuns que vejo.

E a saída desta enrascada é através da Gestão de COMEX 360º, cobrindo três pontos principais:

  1. Conhecimento estratégico de todas as áreas que envolvem as operações de COMEX. Pois você não precisa saber tudo (ninguém sabe), mas precisa saber o suficiente para analisar o conjunto;
  2. Uso de dados, construídos através de indicadores chave de performance (KPI´s) e painéis de controle (dashboards). Somente com dados conseguimos avaliar e melhorar de fato a performance. Imagine um corredor de maratona que não sabe quanto tempo demora para correr 42 Km ou um levantador de pesos que não sabe quantos Kg levantou no último treino?!; e
  3. Automação das tarefas estruturadas, lineares e repetitivas. Pois estas tarefas já estão sendo delegadas à robôs e softwares à muito tempo.

Usando esta metodologia, sua equipe terá mais tempo livre para focar no que é estratégico para a empresa e conseguir resultados mais significativos.

Até mesmo a própria diversificação da cadeia de suprimentos, que trará redução de custos e robustez.

E você, concorda com este caminho?

Ah! Em breve voltamos com a nossa programação dos Bootcamps COMEX 360º, sejam presenciais, in company ou online!

🤘🏻

Como planejar embarques aéreos em meio à pandemia do Covid-19

Em meio ao Caos que o mundo se encontra hoje, as pessoas se dividem entre o medo do Coronavirus e o medo da recessão econômica que virá após o controle da pandemia, ou tudo junto e misturado, né, vai saber…

Mas acredito que precisamos nos adaptar e continuar produzindo, cada um na sua casa, na medida do possível, pois somente dessa forma iremos evitar que o mundo feche para balanço, como mostra a capa da revista The Economist do último final de semana.

Para evitar que realmente o mundo feche para balanço, como a capa da The Economist do último fim de semana mostra.

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E para que as empresas continuem operando, a logística não pode morrer.

Tarifas nas alturas, falta de espaço para embarque, omissão de navios, restrições para cruze de fronteiras e falta de operadores em terminais e armazéns são só alguns dos problemas enfrentados hoje.

E como podemos planejar os embarques aéreos em meio ao caos?

aeroporto de Dublin completamente vazio

Os passageiros já sumiram dos aeroportos …

O cenário atual, com muitos países fechando suas fronteiras e o próprio medo das pessoas em contrair a doença, mostra que ninguém está viajando para fazer turismo. Restam somente viajantes à trabalho de alguns segmentos muito específicos e/ou emergenciais.

Na falta de demanda, a maioria dos voos de passageiros (PAX) já foram cancelados ou suspensos ou serão nas próximas semanas.

Sejam voos domésticos ou voos internacionais.

E, claro, mesmo os voos domésticos atrapalham a logística internacional de cargas, pois eles precisam “alimentar” os aeroportos “hubs” das companhias aéreas de onde saem os voos internacionais.

Cito como exemplo a Delta: que tem voos para o Brasil a partir de Atlanta, sendo que se a sua carga não tiver mais um voo doméstico para chegar em Atlanta, como ela vai embarcar para o Brasil?

Ainda temos a opção de transporto rodoviário, mas …..

As limitações impostas pelos governos tem atrapalhado muito o transporte rodoviário.

Falta estrutura para os motoristas, diversos locais tem se fechado para a passagem de veículos de outra cidade.

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Principalmente na Europa, fronteiras estão fechadas, atrapalhando a alimentação de hubs aéreos via transporte rodoviário.

Fora os terminais de armazenagem, transbordo, separação e manuseio de cargas que tem trabalhado com menos funcionários do que o normal, quando não acabam sendo fechados devido a medidas de segurança sanitária contra a Covid-19.

E quais são as opções para embarque de carga aérea?

De modo geral, temos três opções para embarques de cargas aéreas e vou analisa-las sob a ótica dos três pilares para o planejamento da logística internacional que ensino em meus cursos:

1. Voos de passageiros (PAX)

Custo: Com a diminuição da quantidade de voos, as companhias aéreas ainda permanecem com um enorme overhead de custos a serem pagos, então os valores tem aumentado a cada dia. Não há uma previsibilidade total do custo, pois até o momento do embarque real, a tarifa pode ser alterada pelas companhias aéreas. A TAP por exemplo, saiu de 90 voos internacionais diários saindo de Lisboa para 15 mundialmente. A maioria das companhias só tem aceitado bookings já com tarifas priority.

Tempo: Os voos de passageiros ainda podem ser uma alternativa para entregar a carga antes da disponibilidade de espaço em um voo cargueiro, devido à sobrecarga desta segunda alternativa. Porém, há de se observar muito bem a logística completa, se alguma conexão ou transporte terrestre não vá sofrer restrições até a data prevista de embarque.

Riscos: Vivemos em tempos muito incertos então sempre há a chance de overbooking do voo, o que irá obrigar a companhia a analisar onde a sua carga está na prioridade de embarque. A hierarquia é:

1.      Bagagem

2.      Cargas preferenciais como remédios, perecíveis e itens médicos

3.      Cargas em tarifas priority

4.      Cargas em tarifas standard

Mas o risco maior ainda é a carga não ser embarcada e todos os voos da respectiva companhia serem cancelados.

2. Voos cargueiros (CAO)

Custo: Geralmente o custo é maior do que os embarques de voos passageiros e as tarifas atualmente estão bem altas, mas a previsibilidade no custo é maior. Porém, vivemos tempos muito incertos e este cenário pode mudar. Muitas companhias aéreas, como a Lufthansa, já estão utilizando aviões de passageiros para fazer voos cargueiros, afim de aumentar a oferta de espaço e aproveitar sua estrutura.

Tempo: Os voos cargueiros não deverão ser cancelados e devem manter a mesma frequência de embarques programados. A dificuldade está em conseguir e manter o espaço reservado.

Riscos: Nem todo país tem uma rota direta de embarques cargueiros ao Brasil, então poderá depender de um outro voo ou transporte rodoviário. Portanto, cheque tudo antes, mesmo que já tenha reservas e esteja tudo programado. Nos casos de overbooking, a mesma hierarquia de prioridade de embarques se aplica, só não teremos a bagagem.

3. Voos afretados (charter ou part-charter)

Custo: Geralmente representam a opção mais cara de embarque aéreo. Digo geralmente, pois se você tiver com um volume alto de carga, poderemos ter um afretamento competitivo no cenário atual. Muitas opções vem aparecendo no mercado para suprir a carência de voos regulares, então é bom manter um olho atento nesta alternativa.

Tempo: Geralmente são voos diretos e garantidos, dado o afretamento. A questão é organizar a data de saída da aeronave para atender todos os embarcadores no caso de um part-charter. No afretamento total, a data é em comum acordo com a companhia aérea.

Riscos: Com a aeronave já afretada, a data de embarque é definida, então a carga precisa estar disponível no aeroporto, já liberada para exportação, do contrário há o risco da aeronave partir e incidir frete morto. Com todas as restrições atuais, é recomendado planejar a chegada da carga no aeroporto dias antes da saída da aeronave.

E eu consigo liberar a carga na alfândega depois da chegada?

Sim! Os serviços aduaneiros e o transporte e entrega de cargas em geral são serviços essenciais, como definido no Decreto Presidencial 10.282 de 20 de Março de 2020, e não irão parar.

Muitas adaptações já foram feitas, mesmo que temporariamente, na legislação para facilitar a liberação e entrega de cargas importadas e para o resguardo da saúde e diminuição do contágio. A maioria das ações aduaneiras envolvem a flexibilização quanto a necessidade de entrega de documentos originais e assinatura eletrônica.

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Comunicado da ICTSI Rio Brasil, sobre como será o procedimento para liberação de cargas sem a apresentação do BL original.

E ainda os itens que são essenciais para o combate à Covid-19 terão armazenamento e desembaraço prioritário, além de poderem ser liberadas para entrega e uso antes de conferência aduaneira no caso de canais de parametrização diferente do verde, isso tudo já aprovado via retificação na IN SRF 680 de 2006.

Minhas Dicas

Bom, apesar de todo o caos, muitas empresas ainda estão embarcando e tentando produzir nesta crise, então finalizo com algumas dicas:

1.      Sempre comece o planejamento se perguntando: “o que acontece se esta carga não chegar no dia X aqui no destino?”

2.      Se é urgente, embarca do jeito que dá. Seja cargueiro, pax ou charter, mas checa as possíveis restrições na opção que você pretende usar

3.      Cargueiros estão com custos mais previsíveis do que embarques PAX

4.      Fique atento à novas rotas de cargueiros, companhias estão começando a usar aeronaves de passageiros para transporte exclusivo de cargas

5.      Também fique ligado à oportunidades de embarques em aeronaves fretadas

6.      Quanto mais conexões na rota, maior o risco

E você, como está gerindo as suas operações durante essa crise? Comente aí sobre seus casos e se precisar de alguma ajuda, me manda uma mensagem.

 

Simboooraaaa vencer essa crise!

O novo processo de importação e um olhar para o futuro do Despacho Aduaneiro

 

Na última semana, estudei sobre as novidades que estão sendo lançadas e as que são esperadas para o próximo ano no Comércio Exterior brasileiro. Percebi que o Governo Brasileiro entendeu que não basta só desenvolver sistemas que satisfaçam as necessidades de controle dos órgãos intervenientes, mas que também precisam:

 Auxiliar na eficiência das operações de COMEX, serem conectados entre si e com sistemas de terceiros e que a legislação precisa ser adaptada de forma mais rápida para que tudo seja bem aproveitado.

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Mas e CCT, DUIMP, CP, LPCO e PCCE? São novos partidos políticos ou facções do crime organizado?

Brincadeiras à parte, cada uma destas siglas representa uma nova funcionalidade/módulo dentro do Portal Único Siscomex, plataforma do governo que vai, aos poucos, centralizar todos os sistemas de controle do Comércio Exterior no Brasil.

A principal mudança está na concentração da base de dados em um só sistema que vai possibilitar que todos os intervenientes alimentem e consultem a mesma plataforma. Com isso, haverá um aumento de eficiência e controle, além de uma consequente redução nos custos das operações.

Ao invés de explicar como cada uma destes subsistemas funciona detalhadamente, prefiro abordar o que são, para que servem e quando serão implementados.

Controle, Carga e Trânsito (CCT)

 

O que é? Sistema que vai permitir o controle das ações de movimentação de cargas entre alfândegas (DTA, DTC, MIC-DTA e outros), de movimentação dentro de um mesmo terminal alfandegado, sua respectiva unitização e desunitização, sua entrega para exportação ou após a importação liberada.

Para que? Os registros acima eram feitos em diversos sistemas, com intervenientes diferentes, causando várias desconexões. O CCT veio para centralizar tudo, possibilitando a criação de várias funções novas, como o possível bloqueio de embarque de uma exportação já desembaraçada pelo próprio exportador.

Quando? Já está liberado parcialmente para operações de exportação, mas virá em breve também nas importações. Aos poucos deverá substituir o MANTRA e o SISCARGA quando estiver em pleno funcionamento.

 

Declaração Única de Importação (DUIMP)

 

O que é? Sistema único para registro das Declarações de Importação. Elimina o sistema de Declaração Simplificada de Importação e a necessidade de registro de Declarações de Trânsito Aduaneiro.

Para que? Apesar de já termos tido uma grande evolução na migração da base das antigas Declarações de Importação para o SISCOMEX Importação Web, muita coisa ainda precisava ser melhorada. A DUIMP veio para possibilitar a criação de novas soluções nas importações, acompanhada de mudanças na legislação. Já esperamos uma maior conectividade com os bancos de dados de outros órgãos intervenientes e dos sistemas de controle logístico e melhora no gerenciamento de risco, inclusive para criação e anexação de documentos. Uma das funções mais esperadas é o despacho sobre águas, que possibilita o registro antes mesmo da descarga da mercadoria no porto de destino, diminuindo muito os custos da operação. Por ter um poder maior de integração com sistemas terceirizados, acredito que o sistema vai facilitar, e muito, a utilização de robôs e sistemas de automação, diminuindo muito o trabalho repetitivo que ainda é realizado nas importações.

Quando? O sistema está em fase de testes para empresas que tem a certificação OEA Conformidade Nível 2 e fazem operações básicas no modal marítimo (que não tem a necessidade de anuência, não utilizam regimes especiais, são despachos para consumo, dentre outras limitações). O sistema deve ser liberado para testes para todas as empresas em março de 2020, mas as funções devem ser liberadas aos poucos.

 

Catálogo de Produtos (CP)

 

O que é? Um módulo que vai espelhar o cadastro de produtos das empresas em seus respectivos ERP’s, porém deverá ser registrado com informações corretas, pois será uma ferramenta de fiscalização da RFB. Irá também exigir o cadastro de atributos de mercadorias, para que sistemas identifiquem mais facilmente se a classificação fiscal dos produtos está correta ou não, frente à atual descrição somente em campo texto para a maioria das NCM´s.

Para que? Com esta ferramenta, a RFB vai aumentar muito sua capacidade de gerenciamento de risco, assim como seu poder de fiscalização, principalmente sobre o valor e a respectiva classificação fiscal dos produtos.

Quando? Está em fase de testes para as mesmas empresas que hoje podem testar a DUIMP e deve ser vinculada à DUE e liberada para testes para todas as empresas até fevereiro de 2020.

 

Licenças, Permissões, Certificados e Outros (LPCO)

 

O que é? Sistema que vai substituir o Licenciamento de Importação, incluindo o Simplificado e possivelmente alguns sistemas específicos de determinados órgãos anuentes. A ideia aqui é centralizar e digitalizar todos as Licenças, Permissões e Certificações que são emitidas nos processos de anuência de importação e exportação pelos órgãos.

Para que? Quem importa ou exporta produtos que precisam de anuência com regularidade, geralmente sofre com o tempo e a burocracia em torno dos processos de cada órgão. E os órgãos também sofrem com o acúmulo de operações que precisam ser analisadas, sendo que a maioria delas são repetidas. Um dos maiores ganhos com esta ferramenta será a possibilidade de termos uma LPCO para um lote grande de mercadorias, mesmo que estas sejam embarcadas parcialmente e por meios de transportes diferentes, diminuindo a repetição do processo. O sistema também permitirá que as DUIMP’s sejam registradas antes do deferimento do LPCO, possibilitando que anuência e despacho caminhem juntos, dentre outras ótimas funcionalidades.

Quando? Já está parcialmente disponível para as exportações, tendo novidades liberadas de tempos em tempos. Ainda não há previsão de liberação na importação e nem preciso dizer que esta funcionalidade deve ser uma das últimas a estar pleno funcionamento devido a quantidade de órgãos anuentes que precisam se adaptar.

Pagamento Centralizado do Comércio Exterior (PCCE)

 

O que é? Sistema que vai centralizar todos os pagamentos relacionados ao Comércio Exterior, desde os impostos federais, que hoje já são debitados diretamente em conta corrente por meio do SISCOMEX, até o ICMS e as taxas cobradas por órgãos anuentes.

Para que? O despacho aduaneiro e a respectiva liberação das cargas possuem etapas que dependem de pagamentos para avançarem. Vários destes pagamentos são hoje feitos em guias, boletos e registrados em sistemas separados, impossibilitando uma maior sinergia e diminuindo a eficiência das operações.

Quando? Hoje o sistema já permite a declaração de exoneração e de pagamento de ICMS. Sua plena funcionalidade deve avançar junto com o cronograma da DUIMP.

 

E o Despachante aduaneiro vai acabar?

 

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Muita gente faz esta pergunta hoje em dia, pois o governo tem modernizado a legislação, os processos e investido muito em tecnologia para que seus sistemas trabalharem em conectividade com outros softwares.

Minha resposta é sempre a mesma:

 

Haverá espaço para todos que continuarem buscando se atualizar!

 

No final de 1996, nas vésperas do lançamento do SISCOMEX, o despachante aduaneiro que não soubesse trabalhar em um computador devia estar morrendo de medo de se tornar inútil, pois não ia conseguir mais preencher uma DI na máquina de escrever a partir do ano seguinte, somente no bendito instrumento futurístico que ele teimava em achar que era “coisa para o seu sobrinho” aprender.

Acredito que a palavra da vez é CONECTIVIDADE, permitindo que sistemas façam trabalhos repetitivos de extração e alimentação de dados. Para os profissionais caberá exercer a nossa capacidade analítica criativa.

 

O Catálogo de Produtos

 

Já participei de processos de integração de ERP’s com clientes, principalmente para recebermos as informações de pedidos de compras de forma automatizada, mas o maior gargalo sempre é o mesmo:

Nosso módulo de Cadastro de Produtos no SAP (ou qualquer ERP) não é confiável, pois não está atualizado e provavelmente a classificação fiscal dos itens está incoerente

Agora imagina quando estes produtos precisarem estar cadastrados no Catálogo de Produtos do Portal Único antes de registramos as DUIMP’s …

Além disso, adicionalmente à descrição das mercadorias em campos textos, serão exigidos o cadastro de atributos das mercadorias, como os já existentes atributos para Nomenclatura de Valoração Estatística (NVE). Portanto, haverá um trabalho analítico grande de merceologia, avaliação de dados, anexação de documentos comprovatórios nos produtos cadastrados, dentre outras funções.

Assim, imagino que este módulo seja uma das primeiras oportunidades para o Despachante Aduaneiro desenvolver um novo serviço.

 

Gerando valor

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Pensando nesse futuro, minhas sugestões para o Despachante Aduaneiro que está preocupado são:

 a)   Estude merceologia, a arte da classificação fiscal de mercadorias, para oferecer uma consultoria no cadastro e manutenção de um catálogo de produtos;

b)   Entenda bem os fundamentos e como gerir Regimes Especiais, para agregar valor e reduzir custos nas operações de COMEX de seus clientes;

c)   Pesquise sobre softwares capazes de se integrar com os novos sistemas da RFB, assim irá poupar tempo nas operações e conseguir diminuir seus custos operacionais; e

d)   Estude marketing digital e vendas, pois todo mundo até hoje “vende” do mesmo jeito que vendia há 15 ou 20 anos.

Claro que existem outros caminhos de atualização e geração de valor, sendo que não pretendo colocar aqui uma verdade absoluta, somente a minha opinião do que pode fazer sentido para muita gente.

E você, o que acha do futuro do Despachante Aduaneiro e do Novo Processo de Importação?

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Leonardo Schmidt

Status: disponível
Especialista em Gestão de Comércio Exterior | Palestrante | Sócio e Head Comercial, S&T e Desembaraço da Interfreight
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“Léo, nosso módulo de cadastro de produtos no SAP não é confiável, pois não está atualizado e provavelmente as NCM´s não estão coerentes.”​ Já escutei esta resposta diversas vezes em processos em que trabalhamos na integração do envio de Pedidos de Compras do ERP de um cliente para o nosso ERP, afim de diminuir a digitação e mitigar os riscos. Agora imaginem quando o Catálogo de Produtos estiver 100% funcional no Portal Único SISCOMEX e os produtos precisem estar cadastrados com valor, fabricante, NCM e atributos corretos? Acredito que esta será uma primeira grande oportunidade para o Despachante Aduaneiro neste novo cenário. hashtagcomercioexterior hashtagportalunicosiscomex hashtagimportacao